quarta-feira, 25 de março de 2026

Deviantart e a moral relativa

 


Se alguém ainda acredita que o DeviantArt funciona como uma comunidade artística coerente, talvez seja hora de uma pequena aula de realidade.

A lógica do lugar é simples — embora eles façam um esforço heroico para fingir que não é.

Quer postar scat?
Sem problema.

Quer publicar fetiches extremos, daqueles que fariam um terapeuta levantar a sobrancelha?
Tranquilo.

Quer subir frames recortados de vídeos pornôs que claramente vieram de algum site adulto?
Siga em frente.

Agora… desenhar uma cena de sexo e disponibilizar gratuitamente?
Aí não, amigo.

Aí você cruzou a linha.

Porque aparentemente o grande pecado no DeviantArt não é pornografia, nem fetiche, nem material explicitamente sexual.
O verdadeiro crime é não transformar isso em um produto de assinatura.

Coloque atrás de um paywall, bote um selo de Core, cobre mensalidade — e de repente tudo se torna respeitável. A mesma coisa que antes era “conteúdo sensível” passa a ser chamada de monetização criativa.

É quase mágico.

Pornografia + dinheiro = empreendedorismo.
Pornografia + grátis = violação dos termos.

E claro, nesse ecossistema floresce a figura clássica da internet: o puritano profissional de botão de denúncia. Aquela criatura curiosa que passa horas navegando por conteúdo que supostamente a ofende, apenas para poder clicar em “reportar” e sentir que salvou a civilização por mais um dia.

O resultado é um espetáculo digno de estudo sociológico:
uma plataforma que tolera praticamente qualquer fetiche imaginável, mas entra em colapso moral quando um artista decide simplesmente compartilhar sua arte sem cobrar ingresso.

No fundo, toda essa encenação moralista é só isso mesmo: encenação.

Porque no final das contas, a única regra que realmente importa parece ser:
Se vai ter pornografia, que pelo menos gere receita.

O resto é só teatro.


-Artigo de Jonni X para "O incendiário" 

Nenhum comentário:

Postar um comentário