Parece que a nossa época, tão orgulhosa de seus progressos morais, não aprendeu absolutamente nada com os seus próprios fracassos.
Tomemos o caso de Monark. Pouco me interessa a figura em si; interessa-me o fenômeno. O que fizeram? Isolaram-no. Cobriram-no de injúrias. Expulsaram-no dos círculos respeitáveis. Transformaram-no num exemplo público, desses que as multidões gostam de exibir como troféus de sua virtude.
E depois espantam-se com o resultado.
Há uma crença curiosa entre os reformadores de costumes de nosso tempo: a de que o ostracismo produz reflexão. Raramente produz. O que ele produz, quase sempre, é ressentimento. O homem lançado à margem não encontra mestres, encontra companheiros de exílio; não encontra diálogo, encontra ecos; não encontra correção, encontra aplausos dos que já pensam como ele.
Assim, aquilo que poderia ter sido apenas um erro, uma opinião infeliz ou uma extravagância passageira, converte-se em doutrina. O indivíduo, privado do convívio comum, passa a viver entre os seus iguais mais exaltados. E cada nova condenação que recebe serve apenas para confirmar-lhe a convicção de que o mundo inteiro conspira contra ele.
Depois, quando surge um radical verdadeiro, quando aparecem movimentos que já não aceitam qualquer mediação ou convivência, os mesmos que ajudaram a construir o isolamento perguntam-se, sinceramente espantados, de onde veio tamanho extremismo.
Veio do lugar para onde vocês o empurraram.
Uma sociedade que só conhece a expulsão como método de persuasão não está educando ninguém; está apenas fabricando inimigos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário